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Seus bichos podem confiar em você, ou correm o risco de serem abandonados em algum momento? Nós acreditamos que os animais fazem parte da família e não devem ser deixados pra trás em nenhuma hipótese. Esse texto do Borges, o gato, fala sobre lealdade e abandono de um ponto de vista muito inusitado. Será que seus bichos pensam como ele? Leia este lindo texto e pense a respeito!

O berrô que deu a solidão

Fãs e novos leitores,

Outro dia, a caminho da veterinária, entre um miado e outro, passei em frente a uma casa velha com cheiro de solidão. Perguntei pra papai e mamãe o que era. Eles me explicaram que era um asilo, mas um asilo muito sombrio em que simplesmente os filhos abandonavam os pais e nunca mais voltavam para vê-los. Achei tão assustador que falei imediatamente para eles que jamais os abandonaria, mesmo que ficassem velhos e enrugados como uvas passas.

No caminho de volta pra casa, percebi que, como gato, envelheceria mais rápido que meus pais humanos e provavelmente morreria antes deles. Fiquei assustado novamente, só que desta vez por motivos inversos e pensei em gritar: “papai, mamãe, nunca me abandonem ainda que fique um velho decrépito”. Mas resolvi me calar, engolir o medo e sequer lhes dar esta ideia. Passei o resto da viagem brincando com o silêncio como se ele fosse um ratinho de pelúcia.

Aquela noite desceu do céu pesada como uma jaca que cai do pé. Me encolhi em minha caminha e demorei a pregar o olho, pensava cá com meus pelos abdominais: se já vivi na rua uma vez, por que não voltaria a ela? Se papai e mamãe mudassem de casa quem me garante que me levariam? Afinal, não dizem que gatos pertencem a casa? Neste momento, papai chegou perto de mim, me pegou no colo e disse: “filho, teremos que te colocar num asilo!” Acordei ofegante e foi só aí percebi que tinha sido um pesadelo.

O relógio marcava três horas da manhã quando, com meu cobertorzinho na boca, arranhei a porta do quarto do papai e da mamãe. Eles abriram. Eu disse: “posso dormir com vocês?” Fiquei o resto da noite entre eles, mas ainda assim ouvia os gritos da solidão que saíam daquela casa velha e suja que tinha sido construída na minha imaginação.

Hora do café da manhã

Quando acordei novamente, papai, mamãe e minha irmãzinha Christie já estavam na mesa tomando café. Peguei minha tijelinha de ração e fui me sentar com eles. A Christie fazia piadinhas chatas: “bebezinho que dorme com a mamãe, lero, lero” Mas meus pais estavam preocupados: “que está acontecendo contigo, Borginho?” Eu não consegui esconder. Contei toda a verdade, disse que temia que me abandonassem e que não queria voltar para as ruas. Todos se entreolharam, até a Christie ficou séria. De repente, juntos, como num passe de mágica, me abraçaram, todos ao mesmo tempo e disseram que jamais iriam me abandonar, pois éramos uma família de verdade. Naquele momento, eu que resolvi abandonar meus pesadelos e os gritos da casa velha.

Ass.: Borges, o gato
https://www.facebook.com/borgesogato
http://borgesogato.com/

 

21 comentários

  1. Fiquei até emocionada com o texto do Borginho!!!
    Não se abandona ninguém… nem bicho, nem gente… nenhum dos dois é descartável!
    Meus bebês ficaram comigo enquanto eu viver!!!

  2. Borges, como vc pode pensar em uma coisa dessas! Nunca, nunquinha vc será abandonado por quem te ama tanto, e além do mais, já te tirou da rua!
    Não sofra, vc não merece ter esse tipo de pesadelos, deixa isso pros humanos…
    Lambeijocas.

  3. Ai Borginho vc sente igual a mim…. eu não abandonaria minhas filhas por nada….. e vc bem sabe que minha filha mais velha já tem 18 aninhos de gato, que equivalem a 85 aninhos de humano….. ela é minha filha amada, meu amor, minha vida!!!! JAMAIS abandonaria nenhuma das minhas filhas!!!! seu texto está emocionante!!!! bjs*

  4. Meus filhos gatos são a minha vida! Jamais conseguiria viver sem eles. Nem lembro mais como era a minha vida sem eles.

  5. O texto me emocionou profundamente. O Borges é um gato de muita sorte pois tem pais humanos que o amam e cuidam dele como ele realmente merece. Acho importante as pessoas se conscientizarem que adotar um animal não é brincadeira. É sim uma decisão que precisa ser bem pensada.

  6. *_*
    Ah que lindo texto Borges…
    Parece ser contraditório amar tanto um ser (seja humano ou não) e depois abandonar.
    Será que existiu amor mesmo?

    Te adoro demais!
    Parabéns mais uma vez para Amigo Não Se Compra!
    Amigo não se compra e nem se abandona!!!!!!!

    1. Obrigada Paola! O Borginho sempre vai ter um espacinho cativo no coração da gente aqui no Amigo… 🙂

  7. Lindo texto, amigo Borges!!
    Temos sorte de encontrar famílias que nos amam!!

  8. Borges, não se preocupe você já é dono do coração de seus pais, e jamais será abandonado novamente.

    Eu adotei um gatinho lindo, hoje ele é o “star” de casa, logo depois eu fui adotada por uma linda gata preta (minha princesa) e hoje sinceramente não sei como seria a minha vida sem meus gatinhos lindos amados.

    Recomendo a adoção de gatinhos são extremamente amáveis e carinhosos.
    Amo os felinos…

  9. Texto lindo, emocionante!
    Amigo não se abandona, aqueles que fazem isso nunca amaram de verdade, são cruéis e insensíveis. E enquanto não se tornarem pessoas boas, não conhecerão a felicidade nunca!

  10. Borginho, te amo!!!! Penso como alguém pode abandonar meus filhos também, em casa tenho 7 e dois no céu, agradeço a São Francisco por ter colocado meus filhos em minha vida.
    Beijos e lambeijos da turminha lá de casa:
    Sophia, Jujuba, Rocco (anjinho), Tico, Bento, Manolo, Alice (anjinho), Duda e Cookie.

  11. Boa tarde!Meu lindo amigatinho, li com toda atenção seu relato e confesso que me encheu os olhos de lágrimas,e me fez relembrar da minha tia ( falecida á 5 meses) e dos meus 4 primos peludos os gatos da minha tia, que eram os maiores amores da vida da minha tia!Uma delas á Luna eu mesma fui buscar pra ela bem pequena,doente, e minha tia cuidou dela com todo amor, carinho como se ela tivesse dado á luz á Luna,Belinha era a outra filha adotada que foi deixada no quintal da casa dela e nós á adotamos,Thiago era de um restaurante ela adotou tbm,Bruno, era o moleque da casa muito amiga da Luna,sempre junto com ela mas sempre que podia dava uma volta na rua….Minha tia ficou muito doente e percebi que Bruno e Luna,ficavam sempre por perto,Bruno saia dava seu passeio e voltava para perto de sua mãe que estava acamada, Luna raramente saia de perto da mãe sempre deitada por perto ou muitas vezes parece que queria aquece-la,até tirar suas dores fazendo massagem na sua mãe tão doente,e assim foram os últimos dias das 3 pessoas tão lindas!Mesmo nos ultimos dias da minha tia ela me deixou encarregada de dar novos lares para seus 4 filhos lindos,E JAMAIS DEIXA-LOS DESAMPARADOS,PRQ ELA JAMAIS OS DEIXARIA SE ESTIVESSE VIVA,PRQ PARA ELA MESMO NO SEU SOFRIMENTO JAMAIS DEIXOU DE PENSAR NELES! Assim como eu jamais abandonaria meus filhos peludos ( tenho 6 gatos)peço á Deus todos os dias que não me deixe faltar para eles!Prq sei o quanto é sofrido ter que se separar deles q sei que assim como nós eles tbm sofrem,sentem nossa falta,pena que nem todos pensen assim, e borginho tenho certeza que seus pais jamais abandonariam vc e sua irmã!!!
    Lambeijocas.

  12. Obrigato, fãs!!! Vocês são demais. Que bom que vieram ler aqui também e comentar. As tias do adote um gatinho são muito bacanas, é um site e uma ONG que merecem nossa atenção.

    Lambeijos

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